Três mulheres: passado recente, presente e futuro

Luisa, Eliza e Ana Maria têm idades diferentes. São 5 anos, 2 primaveras e 10 dias, respectivamente. Pra qualquer um, são crianças que descobrem o mundo – cada uma na sua fase e ao seu jeito. Em mim elas provocam, entre brincadeiras e choros, um transporte ao passado e uma preocupação imensa com o futuro. Continuar lendo “Três mulheres: passado recente, presente e futuro”

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Carta aberta aos amores que já tive

Sempre achei que se dá um tom de eternidade absolutamente desnecessário à palavra amor. Como se todos os “eu te amo” que disséssemos na vida fossem mentirosos ou falsos se não forem ditos hoje. Se olharmos por essa lógica, não haveriam “amores passados”. E é por isso que eu discordo: eu os amei verdadeiramente.

Talvez por isso seja estranho a vocês que eu ainda perca tempo escrevendo sobre nossas idas, nossas vindas e sobre nós que há tempos foram desatados e formam eu e vocês. Cada um pra um lado. E aí eu pergunto: se ainda há poesia, tantos tempos e tombos depois, como é que se pode dizer que não houve amor?

Houve amor na decisão de partir. Um pouco próprio, talvez um tanto doído. Eu os amei tanto que quando fechei a porta também chorei, também sofri. Mas tive a certeza de que os amava tanto, que não os faria feliz com a minha falta de decisão.

Quero que vocês saibam que no exato momento em que a nossa mão parou de se encaixar ao atravessar a rua ou os nossos passos descompassaram e tivemos que largar um do outro, eu soube que não seria pra sempre. E nem por isso deixei de amá-los.

As brigas banais que tivemos ficam para um passado ainda mais distante. Quando eu não quis ir àquele show, ou quando tiveram ciúmes de um personagem que inventei num texto bobo. Ali, exatamente nas brigas banais, quando ficamos por um triz, eu percebi que os amei de verdade. Porque voltei, porque chorei, porque pedi perdão sem me sentir culpada.

A história que tivemos foi bonita e necessária para que eu vivesse a história que escolhi viver hoje. Para que eu levasse as coisas um pouco a sério e ao mesmo tempo fosse leve, para que eu me entregasse de corpo e alma porque sei que posso suportar qualquer coisa que for acontecer, para que eu tivesse essa fé tão grande em algo que não sei o que é.

Estou feliz por vê-los felizes. Solteiros, casados ou enrolados, mas felizes. Com mulheres que certamente tem mais a ver com os seus estilos de vida, que riem das mesmas piadas e vivem as mesmas aventuras. Sou espectadora da felicidade dos meus amores passados. Como se fosse um filme que comecei como protagonista e terminei na plateia.

Eu os amei, de verdade. E todo amor metamorfoseia numa lembrança bonita. Amor é energia limpa, não se perde. Se transforma em lembrança e, na sua essência, vai ser pra sempre amor.