Ovo mollet e a gourmetização dos sentimentos

É feriado e, depois de acordar tarde, foi tomar café um pouco mais tarde ainda. Não há refeição melhor do que o café da manhã para aproveitar a cabeça vazia (especialmente se você não for como eu, que geralmente sonho com problemas a resolver no dia seguinte) e pensar na vida. Lá na casa dos meus pais, dia feliz era ter “ovo com gema mole para pintar o arroz” no almoço. Aqui em casa, dia feliz é “ovo com a gema mole para pintar o pãozinho” no café da manhã. Continuar lendo “Ovo mollet e a gourmetização dos sentimentos”

Esqueça as certezas, se apegue as dúvidas

Vivemos na era do discurso. Não é preciso tribuna, microfone, plateia. Temos um teclado e seguidores (que seja meia dúzia). Todo mundo pode falar. O que é ótimo. Estamos empoderados, disruptivos e cheios de opinião. Estamos também apressando o processo de metamorfose que todas as nossas dúvidas sofrem antes de virarem certezas.

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Para ler e ouvir: quando foi a última vez que você se sentiu livre?

Não lembro a última vez que me senti livre. No fundo, acho mesmo que liberdade é uma utopia e que se manter firme atrás dela é o que dá sentido para essa coisa toda. Talvez porque, pra mim, liberdade esteja acima do bem e do mal, do certo e do errado, da crença e do julgamento. Continuar lendo “Para ler e ouvir: quando foi a última vez que você se sentiu livre?”

“Bela, recatada e do lar”: vamos fazer um escândalo

Em 2011, quando pela primeira vez uma mulher se tornou presidente do Brasil, quem dominou as manchetes foi Marcela Temer. Em 2016, quando essa mesma primeira mulher pode ser impedida de finalizar o seu mandato, novamente ela quem está no centro dos memes, das discussões. Que fique claro: em nenhuma das ocasiões, Marcela provocou essa situação. Ela apenas existe como eu, você e todas as mulheres do mundo. Continuar lendo ““Bela, recatada e do lar”: vamos fazer um escândalo”

Amargo, quente e delicioso: um café e um amor

“Preto e sem açúcar, por favor”. É meu primeiro teste com qualquer relacionamento (amor, amizade, trabalho). Se vier um julgamento por eu gostar de beber a vida assim, quase à seco, coloco os meus dois pés atrás e visto meus patuás. Não se zomba de quem prefere o sabor amargo a não sentir gosto algum. Continuar lendo “Amargo, quente e delicioso: um café e um amor”