O pior do Brasil não é o brasileiro, mas talvez seja você que acha que é

O Brasil está dividido. E não é política, não é Caprichoso e Garantido, não é Fla-Flu, nem Grenal. De um lado estão aqueles que abriram mãos dos Pokemóns para caçar cabelo em ovo e criticar absolutamente tudo o que acontece no país. Do outro, estamos aqueles que se irritam profundamente com ranzinzas, pessimistas e seres que repetem como um mantra que o pior do Brasil é o brasileiro.

São aqueles – e eu sei que você conhece mais de um par deles – que sonham em voltar para o útero e se transferirem sem passaporte para um país diferente daqui. Os que disseram que a abertura das Olimpíadas seria um fracasso. Os que almejaram que Neymar chutasse para longe. Os que, no fundo, torceram para que o assalto que os atletas norte-americanos vergonhosamente inventaram fosse verdade para mostrar ao mundo que “o pior do Brasil é o brasileiro”.

Nós, os que acreditam que o melhor do Brasil é o brasileiro (e não só por causa dos memes), sentimos tanto orgulho do ouro de Rafaela Silva quando do quinto lugar de Darlan Romani, de Neymar e de Marta, de Sheilla e Lipe. Nós encontramos heróis uns nos outros e valorizamos as nossas histórias dentro e fora de quadra.

Não somos cegos. Temos cidadãos a quem destinar a nossa vergonha alheia, claro. Temos Cunhas, Bolsonaros, Biels. E quem não tem? Qual é o país que não tem uma vergonha em seu passado ou em seu futuro? Assumimos os cacos no chão por um teto de vidro que é da Terra, não do Brasil. Estamos todos no mesmo saco – ou no mesmo globo.

Se você tem tanto preconceito assim com o que nós dissemos, então acredite nos gringos que você tanto ama e de quem gostaria de ser compatriota. Acredite no New York Times, no Roger Cohen e num artigo publicado esta semana em que ele afirma que o Brasil é a terra do “tudo bem”, o país do futuro, o cemitério dos pessimistas e que escreveu uma história linda nestas Olimpíadas que terminaram hoje.

Não acho que acreditar que o pior do Brasil é o brasileiro seja falha de caráter, que fique claro. Nós levamos muitas porradas. E só temos duas formas de ver isso: com raiva ou com empatia. Se optarmos pela raiva, vamos querer ir embora. Se optarmos pela empatia, vamos nos esforçar para entender o outro e ajudar a mudar a realidade dele (e a nossa, como consequência).

O pior do Brasil não é o brasileiro. O pior do Brasil é a nossa falta de auto-estima. E resolver isso começa por olhar com mais carinho para o brasileiro que está ao seu lado. Que supera seus próprios resultados, se torna um ser humano melhor, divide seus aprendizados com o mundo. Porque ao invés de termos vergonha, torço pelo dia em que vamos gritar a plenos pulmões que somos brasileiros com muito orgulho e com muito amor. 

Foto: Wagner Carmo/CBAt

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Um comentário em “O pior do Brasil não é o brasileiro, mas talvez seja você que acha que é

  1. Apoiado! Recentemente viajei para fora do país e vi que, apesar de muita coisa lá “funcionar” e aqui não, amo muito o meu país e meus compatriotas. Amo meu feijão com arroz e minha cultura, e sobre a olimpíada: todos aquele heróis merecem ouro!

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