Legado Olímpico: que valorizemos mais o esforço do que a vitória

Ganhar é bom. É maravilhoso, na verdade. A sensação de não conseguir caber em si de tanta alegria é o que promove as mais bonitas fotografias numa competição tão acirrada quanto nos Jogos Olímpicos. Mas, para que alguém ganhe, é preciso que outros percam. E, mais do que o concreto de uma Vila Olímpica que não sabemos bem como foi paga, espero que este seja o legado impagável maravilhoso desta competição: que o brasileiro aprenda a valorizar mais o esforço do que a vitória.

Esforço é o que cada uma das 11 jogadoras da seleção brasileira de futebol dedicou naquelas duas partidas que terminaram nos pênaltis. O suor que escorre delas é resultado de noites mal dormidas, de esforço físico além da conta, de salário que nem em todos os dígitos consegue somar os zeros da remuneração de outros atletas do mesmo esporte. Elas são campeãs e mereciam desfilar em carro aberto com ruas lotadas de aplausos e suspiros.

Fabiana Murer não tem medalha na Rio 2016, mas é campeã. Apostou alto e foi direto aos 4,55m não porque é arrogante, mas porque a estratégia era tentar saltar menos vezes já que uma hérnia de disco a fazia sofrer diariamente nos treinos. Hugo Calderano, um garoto de 20 anos, é muito mais do que uma promessa do esporte que igualou na sua primeira Olimpíada o marco histórico de Hugo Hoyama que chegou às oitavas de final. É um campeão em esforço, em dedicação, em seriedade.

Diego Hypólito já era herói antes de ter pisado no solo onde cairia em pé e com a cabeça erguida. Era herói quando, nas duas edições anteriores dos Jogos Olímpicos, representou o país em competições internacionais levando o coração e a bandeira brasileira mesmo com todo o julgamento que o seu esporte e a sua trajetória recebem. O seu choro emocionado talvez tivesse mais a ver com ter vencido a si mesmo do que por ter superado seis outras notas.

O esforço não é inimigo do talento. Mas é muito mais importante do que ele. Assim como o mérito não é inimigo da sorte, mas incomparavelmente mais relevante.

O Brasil é cheio de histórias de atletas que superaram dramas sociais, preconceitos, homofobia e falta de incentivo para usarem a camisa verde e amarela. O Brasil é cheio de atletas que perdem e acordam no dia seguinte para começar de novo. O Brasil é feito de campeões sem medalhas, de esportistas sem recordes. Que o legado Olímpico seja a valorização deste esforço. Porque olhar com carinho e reconhecer um trabalho sério às vezes vale muito mais do que um pódio.

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