10 anos de jornalismo: ciranda e montanha-russa

No dia 13 de março, completo 10 anos trabalhando com jornalismo. Do primeiro dia de mãos trêmulas e medo de errar as informações do lead (estrutura básica de um primeiro parágrafo noticioso) até o empreendedorismo e todas as suas conseqüências.

São 10 anos de amor e ódio, arrependimento e orgulho extremo, de aprendizado de que o mais apaixonante desta profissão é exatamente isso: não existe tédio, certeza absoluta, água calma. O jornalismo pra mim é uma ciranda que só cresce porque, palmo a palmo, conheci muitas das pessoas mais importantes da minha vida. Ao mesmo tempo, uma montanha-russa que me faz não perder o frio na barriga nunca.

Além das duas universidades que eu freqüentei – e os seus bares e corredores que tantas experiências e pessoas inacreditáveis me trouxeram – tive a chance de trabalhar desde a primeira semana. Pisei na sala de aula querendo trabalhar na editoria de cultura de um grande jornal do eixo Rio-São Paulo. Cinco dias depois entrava numa redação de quatro mesas, carpê no chão e 36 edições de um jornal online de economia catarinense. Minha sorte.

Há 10 anos, não conseguíamos um servidor que enviasse em um clique as 80 mil newsletters do Noticenter. Montávamos linha a linha cada pedaço do editorial que fazíamos a poucas mãos e muito carinho. Um mês depois fiquei sozinha na redação com o Carlos Tonet ainda com medo de discutir qualquer coisa com ele.

Só percebi que eu estava enganada quando, no fim do ano, ele me entregou uma cartinha com desenhos de rosas captados diretamente do Google e impressão colorida em Comic Sans. No bilhete (que começava com “Marininhazinhainhainhainha”) uma das figuras mais engraçadas, experientes e incríveis que essa profissão me permitiu conhecer acabou com todos os meus medos e me deu a certeza de que eu só faria bem feito o que eu fizesse com confiança.

Foi lá também que eu aprendi que o jornalismo é uma profissão maravilhosa porque não se faz sozinho. Ouvi repetidamente “faz um box com a tua opinião, porque opinião é futuro da internet”. Trabalhei com dez pessoas diferentes. Fui a única mulher na redação por muito tempo. Compreendi que o feeling (ou, como chama o Tonet, “a bola procurar o jogador”) tem que ser ouvido sempre e que todo mundo tem uma boa história pra contar.

Nunca quis trabalhar com negócios, com economia. Não entendia nada disso, não conhecia um empresário sequer. Descobri que uma das coisas mais apaixonantes do jornalismo é que não importa a editoria. O que importa é a vontade de transformar aquilo em algo que interesse ao leitor.

Com o Noticenter (e com o Tonet, especialmente) também aprendi que “as coisas acontecem quando tem que acontecer”. E aconteceu que o monstro de fazer o que eu acredito, do jeito como eu acredito, tomou conta de mim. E descobri, na metade deste caminho, que empreender seria realizar um sonho que eu não imaginava ter.

A história da minha empresa de assessoria de imprensa e mídias digitais poderia ter começado num planejamento de custos e numa elaboração de plano de negócios, como tantas vezes escrevi que os consultores indicavam. Mas começou num churrasco de domingo, sem pretensão de ser e foi.

No dia 1º de outubro de 2010 acordei com frio na barriga e comecei a jornada que me trouxe até hoje. Da sala de casa, fomos para um espaço com sala de reunião. Chorei (muito) com grandes conquistas e com as coisas mais simples. O quadro de vidro na parede e a placa de acrílico na porta fizeram cachoeiras brotarem nos meus olhos.

Tem gente que acha que assessor de imprensa não é jornalista. Também tem gente que acha que quem empreende deixa de lado o jornalismo. Eu discordo veementemente de tudo isso. Só sendo muito apaixonado por notícias é possível convencer um cliente de aprovar um material ou divulgar uma informação antes sigilosa. Nelson Rodrigues diz que sem tesão não se chupa um Chicabon. Na assessoria, sem a paixão pelo jornalismo não se consegue notícia alguma.

O empreendedorismo trouxe loopings e velocidade para a montanha-russa do jornalismo. E mais gente para compor a ciranda da minha vida também. Clientes que se transformaram em amigos, amigos que se transformaram em clientes, histórias que viraram case, jornalistas que aprendi a admirar ainda mais – ou menos, não vamos ser hipócritas.

Descobri nos últimos meses, que o jornalismo (esse ser místico que sonha com a imparcialidade) também pode ser feito de opinião. E passei a levar o meu olhar sobre a rotina da minha cidade para os leitores que sempre leram o que escrevo com a assinatura dos clientes. Me assumi. Aos 10 anos de profissão, começou uma nova fase. E que assim seja, sempre, de cinco em cinco anos.

Mesmo que o jornalismo tenha me trazido tantos aprendizados e alegrias profissionais, talvez nada se compare ao que ele trouxe para a minha vida. As melhores companhias para uma cerveja com karaokê ou para conversas profundas sobre os rumos da sociedade foi ele quem me deu. Duas afilhadas que eu amo mais do que qualquer dia supus amar qualquer criança, também. A oportunidade de vislumbrar o meu estado de outra maneira, com muito mais amor e vontade de fazer acontecer do que pessimismo e crítica, veio das histórias que aprendi com o jornalismo. O orgulho em estampar veículos com casos que merecem ser contados veio por meio dele.

Nesses 10 anos, quando digo que sou jornalista, as pessoas sorriem. Não sei se porque estão se esforçando para me reconhecer (todo mundo sempre acha que jornalistas só estão na TV) ou porque respondo com a certeza no olhar de que é isso que faço e é por isso que eu vivo. Há 10 anos.

Dos aprendizados: jornalismo é sempre trabalho em equipe
Dos aprendizados: jornalismo é sempre trabalho em equipe

 

 

Dos sonhos realizados: o acrílico na parede (Foto: Daniel Zimmermann)
Dos sonhos realizados: o acrílico na parede (Foto: Daniel Zimmermann)
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4 comentários em “10 anos de jornalismo: ciranda e montanha-russa

  1. De todas as coisas que essa profissão me proporcionou trabalhar contigo foi, sem dúvida alguma, a melhor. Foi com a Melz que eu aprendi o significado de comprometimento e responsabilidade. Minhas maiores alegrias e as lembranças mais felizes aconteceram ali, naquela sala. Foram puxões de orelhas (e não foram poucos!), comemorações e, principalmente, várias conquistas. Foi na Melz, também, que eu entendi que poderia seguir meu caminho sozinha e voar mais alto. Eu já te disse uma vez e repito: Aí eu consegui ser eu mesma. Parabéns, Marina, por trazer ao jornalismo um pouco mais de amor, respeito e empatia. Te admiro muito <3

  2. Parabéns Mari, você é pura inspiração e profissionalismo, sem perder a essência, sem perder a empatia, sem perder aquilo que tanto precisamos nos dias de hoje: Amor nas palavras. Tenho muita gratidão por você! <3

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