Sobre feminismo e feminino

“Você é feminista?”. A pergunta sempre cai como uma bomba na minha cabeça e transforma qualquer resposta em campo minado: é certo que vai estourar.

Se digo que não, começa uma via sacra de explicações sobre como as mulheres foram oprimidas, sobre tudo o que sofremos e pelo que deveríamos lutar. Quase concomitantemente, inicia uma série de lamúrias sobre as mulheres que queimaram sutiãs que tanto fizeram por mim e eu, imbecil convicta, teimo em ignorar.

Não, eu não escreveria sobre sexo se não fossem elas. Não teria uma empresa. Aos 26 já teria uma penca de filhos, não poderia ser favorável ao aborto. Grandes mulheres. Mudei de ideia. Sou feminista. Verdade.

Caio, então, na segunda armadilha. Começam a exigir de mim que veja os homens como seres desprezíveis, inúteis e absolutamente nojentos. Tenho que usar deles, gozar às suas custas, fazê-los sofrer pelas trezentas encarnações da sua família que tiveram mulheres submissas que choraram à beira dos seus fogões.

Tenho que achar absurdo que uma mãe opte em ficar em casa para cuidar dos filhos. Tenho que privilegiar a contratação de mulheres, mesmo tendo bons candidatos homens. Tenho que não acreditar num homem que diz que sofre por amor.

Mas não. Eu não acho nada disso. Eu acho homens seres tão deliciosamente encantadores, complexos e interessantes quanto as mulheres. Acho que eles não precisam ser usados para que eu me sinta superior.

A partir do momento em que escracha o homem, o feminismo deixa de ser um movimento pela igualdade. Passa a ser um movimento pela superioridade de alguém.

Sou defensora da liberdade sexual, mas não preciso transar na primeira noite para sentir que posso. Sou orgulhosa da história das mulheres que foram para a rua, mas luto com as minhas armas – que não são protestos na rua, mas são mais verdadeiros com o que eu sou e com o que eu acredito.

Defender o feminismo é resguardar o feminino. Como ato de amor, o feminismo não prega o ódio. Nem pelos homens, nem pelas mulheres que insistem em exibir seus corpos em danças sexuais, nem por quem prefere estar em casa e não viver a maravilhosa realidade pela qual tantas lutaram.

Não quero lutar pelo empoderamento feminino. Acredito no empoderamento das pessoas com as suas próprias vidas. Sim, na mulher que toma as rédeas da sua vida e não deixa que ninguém (homem ou mulher) a tire do rumo. Também do homem, que deve poder se mostrar sensível, amedrontado, doente. Sem medo de ser rechaçado por isso.

“Você é feminista?”. Eu amo o feminino. Esteja ele em qual corpo estiver.

Anúncios

O que você acha?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s