Contos de fadas, cantos de fado

Duas letras mudam tudo. Fazem de príncipes e princesas, histórias de violões tristes e vozes fortes. O que há de leve num, há de dolorido noutro.

Nos contos de fadas, todos são príncipes e princesas. Mesmo com palavrões, cara de sono, maças envenenadas e beijos públicos. Nos cantos de fado, há sofrimento, rejeição, uma beleza quase infernal.

Contos de fadas são minúcias. Prosa bonita, pandeiro tocado de leve, toque da ponta dos dedos na nuca, preguiça da manhã, manha de todos os dias. São briga boba, supremacia do amor, pipoca doce, mãos dadas.

Cantos de fado são explosão. O cheiro da lágrima, o rancor, a fofoca, a história se repetindo. Mentira repetida, exaustão. A entrega completa, o mal resolvido, o impreciso, o crônico, o grito preso. O sentimento arrancado a força, mas que não deixa nem por um segundo de ser sentimento.

Amar o outro porque te faz melhor é conto de fadas. Odiar o outro porque ele te faz melhor é canto de fado. Saudade de ontem é conto de fadas. Saudade de sempre é canto de fado.

Os contos de fadas terminam com final feliz. Os cantos de fados são para sempre porque tristes.

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