É cool ser cult*

Puta coisa chata esses metidinhos a cults. O Twitter está cheio deles, o Orkut está cheio deles, o mundo está cheio deles. E isso é um saco. Eu não sou nem cool nem cult, e quero que tudo isso vá pro inferno. Mas que é um porre, ah, é. Se você gosta de Chico Buarque, é porque quer parecer cult. Se você gosta de samba novo, é porque não sabe o que é samba de verdade. Se gosta dos sambas antigos, tem que dizer que nada que é novo presta porque o que é novo é ruim. Já que eles gostam tanto de coisas antigas, bem que podiam largar a internet.

Odeio quem diz que discos de vinil são a melhor maravilha do mundo. E olha que eu gosto, e olha que eu sonho com uma vitrola pra rodar os meus e vivo nos sebos comprando algumas relíquias que eu nem sei se um dia vou ouvir. Eu queria ouvir Casuarina, Coldplay, Diogo Nogueira e Teresa Cristina em vinil. Mas eles não terem nascido em mil novecentos e guaraná de rolha não faz com que eles sejam menos bons.

Eu gosto de alguns filmes em preto e branco. Mas não porque eles são cults. Porque eles são simplesmente bons. Eu amo alguns filmes de animação. Não porque eles são novos. São simplesmente bons. Eu amo o Chico (venham, vaias, venham), amo Cartola, amo Woody Allen. E amo Casuarina, Diogo Nogueira e a Pixar. E que se foda o que vocês pensam sobre isso.

Os cults são aqueles caras (e gurias, bã. Como tem gurias, nessa!) que acham que só o que é antes de 1996 presta. São aqueles que se vangloriam de ter lido aqueles livros que a gente não chega na metade, que se orgulham de saber todas as entrelinhas das músicas do Chico (sempre ele…), que não gostam de ir ao cinema.

O pior dos cults não é o que eles gostam. É o que eles falam. O que eles criticam sem saber, ler, ouvir. O que eles sabem, lêem e ouvem com preconceito de quem antes do segundo acorde ou linha já vão dizer que isso é moderno demais. (Amiguinhos, saiam da internet! Ela é nova demais! MP3 distorce o som! Voltem para os vinis!).

Ao contrário do que você pensa, eu respeito aqueles que eu considero cults. Ouço tudo o que a Larissa Guerra me manda, leio tudo o que a Larissa Tietjen me indica, adoro filmes que a Camila vê, vejo muitos filmes que o Vini me mostra, amo os presentes que o Bruno me dá. Eles são cults. Eles gostam de coisas antigas e boas.

Deve ser por achar tudo isso que tantos “cults” não gostam de mim. Mas nem me importo. Eles gostariam mesmo de ter nascido há tantos anos e eu gosto pra cacete do que me rodeia hoje.

* Se você for comentar que esse é um texto cult, não precisa, tá? :)

 

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14 comentários em “É cool ser cult*

  1. Tenho dezenas de amigos que acham que o mundo cultural acabou em 1977, com a morte de Elvis. De la pra cá, para eles, só dance music, punk, axé e afins. Sem mencionar TV e cinema.

  2. Era tudo que eu queria escrever a respeito no entanto vc chegou primeiro com mais classe, parabéns

  3. É um saco mesmo essa tendência… Tenho ascos ao ver gente metida por tão pouco, pois de que adianta dizer que gosta se não sente? Acha que entender basta? Se é que entendem…

  4. E blaster master duper cool ser cult. É blaster master duper cool conversar com pessoas que se ligam na qualidade do que lêem, ouvem e assistem. Pessoas que tem discernimento pra argumentar, independente da opinião pender pro que é bom ou ruim
    Mas pera lá: desde quando isso é moda?
    Pensei que fosse gosto. E gosto não se discute.
    Bem, no caso dos cults, a graça está nisso: discutir gostos.

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