Para Cami, com ternura.

Eu disse que ia te contar uma história, não disse, Cami?! Contar uma história bonita é sempre difícil porque a beleza da história não dá pra dizer, nem desenhar, nem gesticular. E é tão bonita a história, Cami. Daquelas que quando a gente fala, o olho brilha tanto – tanto – que até parece que a gente vai chorar, mas não é choro porque não tem mais lágrima. História que é bonita seca a gente de tristeza, Cami. É que quando a gente vai contar a história, ela derrete a gente por dentro, faz tatuagem arder e a gente sabe (é tão doído esse tal de saber) que o que arde na verdade é o peito. Essa história bonita, a mais bonita, que eu quero te contar, Cami, é pra fazer você dormir antes do beijo na testa de boa noite. Não é pra ter pesadelos, não, menina. A história bonita é triste no final, mas se é triste e mesmo assim é bonita, Cami, é porque valeu a pena e a gente queria viver tudo de novo sempre e quantas vezes fosse preciso, sabe, Cami. Conto de fadas, a história. Que no final das contas não tem príncipe e nem princesa, não tem mocinho nem bandido. História bonita é feita de gente, Cami. De gente que tem sentimentos, de gente que começa a pensar na história e arrepia o pêlo, gente que consegue fazer voltar a lágrima do olho mas que não deixa de sentir o peito cheio. História bonita é feita de gente, Cami. Gente que tem história bonita pra contar.

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