Apodreceu II

Quando eu tirei a aliança do anelar direito coloquei ela na caixinha que ficava ao lado da sua cama, eu pensei que tivesse acabado. Era o nosso elo, e ele estava lá, na caixa preta. Gravadas as histórias, os papos, os passeios, as mãos dadas e os corpos colados. A caixa preta guardava mais do que a vida de uma aliança: a aliança de uma vida. E quando eu a coloquei com um minucioso cuidado na caixa preta, era o fim. Tinha acabado.
Depois, eu pensei que tinha acabado quando o sol nasceu e acabou a última noite. E aconteceu tudo como a gente tinha planejado. Dormimos um, acordamos dois. Assim, exatamente como deveria ser. E a minha cara inchada não era planejada, mas não deixava de ser natural. E você ficou, e era o último beijo no carro na frente do seu trabalho. E era cada um pra um lado.
Aquela ligação meio estranha, com um sentimento meio estranho pra agradecer a flor que não tinha nada de estranha era pra ter sido o fim. E eu pensei mesmo que aí ia terminar tudo. Eu guardei a carta numa caixa rosa e ela cantou “morena, tá tudo bem”. E aí eu pensei que tivesse acabado. Estava tudo lá, numa caixa. É assim que as coisas terminam.
Quando a gente brincava de ser amigos descolados entre nachos e tacos e não se pegava, eu realmente acreditei que tinha acabado. Aí um dia, quando dei por mim, eu estava na sua cama e a gente tinha esquecido que tinha gente do lado de fora da porta. Aí eu tive certeza: tinha acabado.
Bem no estilo último tango, pensei que depois do bolero tinha acabado. Não tinha mais charme pra jogar, pele pra desvendar, paixão pra enxergar, amor pra cegar.
Da última vez que eu pensei que tivesse acabado, acordei no meio da noite e levei um susto ao te ver dormindo. O sono leve era o mesmo, mas eu senti um peso tão grande, que tive certeza: tinha acabado. Não era mais prazeroso te ver dormindo e ao contrário dos últimos três anos, eu quis correr para o banho pra tirar a sua sujeira de mim.
Aí, quando eu peguei nas mãos o primeiro texto que eu te escrevi, a primeira coisa que eu pensei é que o nosso começo estava eternizado – eis a maldição e o fetiche dos livros. Aí eu tive certeza que podia acabar, mas que era eterno. Eu suspirei de cansaço. E sorri de cansaço. Não acabou, e essa sensação não vai acabar nunca. Mas eu cansei. E foi aí que acabou de verdade.

Quando eu tirei a aliança do anelar direito coloquei ela na caixinha que ficava ao lado da sua cama, eu pensei que tivesse acabado. Era o nosso elo, e ele estava lá, na caixa preta. Gravadas as histórias, os papos, os passeios, as mãos dadas e os corpos colados. A caixa preta guardava mais do que a vida de uma aliança: a aliança de uma vida. E quando eu a coloquei com um minucioso cuidado na caixa preta, era o fim. Tinha acabado.

Depois, eu pensei que tinha acabado quando o sol nasceu e acabou a última noite. E aconteceu tudo como a gente tinha planejado. Dormimos um, acordamos dois. Assim, exatamente como deveria ser. E a minha cara inchada não era planejada, mas não deixava de ser natural. E você ficou, e era o último beijo no carro na frente do seu trabalho. E era cada um pra um lado.

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Quando a gente brincava de ser amigos descolados entre nachos e tacos e não se pegava, eu realmente acreditei que tinha acabado. Aí um dia, quando dei por mim, eu estava na sua cama e a gente tinha esquecido que tinha gente do lado de fora da porta. Aí eu tive certeza: tinha acabado.

Bem no estilo último tango, pensei que depois do bolero tinha acabado. Não tinha mais charme pra jogar, pele pra desvendar, paixão pra enxergar, amor pra cegar.

Da última vez que eu pensei que tivesse acabado, acordei no meio da noite e levei um susto ao te ver dormindo. O sono leve era o mesmo, mas eu senti um peso tão grande, que tive certeza: tinha acabado. Não era mais prazeroso te ver dormindo e ao contrário dos últimos três anos, eu quis correr para o banho pra tirar a sua sujeira de mim.

Aí, quando eu peguei nas mãos o primeiro texto que eu te escrevi, a primeira coisa que eu pensei é que o nosso começo estava eternizado – eis a maldição e o fetiche dos livros. Aí eu tive certeza que podia acabar, mas que era eterno. Eu suspirei de cansaço. E sorri de cansaço. Não acabou, e essa sensação não vai acabar nunca. Mas eu cansei. E foi aí que acabou de verdade.

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6 comentários em “Apodreceu II

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