A L.,

Ele me pediu pra que eu o chamasse de Leo. Ele não é lá muito Leonardo, mas também não chega a ser Leo. Tem panca de Leonardo com os blasers que devem custar mais de um mês do meu aluguel, o salário estratosférico e a mania de pagar as contas com um sorriso de cavalheirismo de quem nasceu no final da década de 70. A quantidade de livros, o conhecimento sobre arte e o gosto musical refinado são mesmo de Leonardo. Imponente, respeitoso. Dr. Leonardo.
Aí ele também vira Leo quando freqüenta os lugares que são moda entre os que têm metade da idade dele, quando bebe vinho e começa a falar de vídeo-game e desenho animado. Vira criança. Tira o blaser granfino e aparece com uma camiseta de futebol do time dos amigos. Parece que eu vejo a mãe gritando da janela “ô Leeeeeeo, vem pra casa que vai chover”.
Quando ele ainda era Dr., a gente saiu pra tomar um café de negócios. Na verdade eu sou jornalista e com a gente isso de fazer negócios sempre acaba numa boa conversa, que rende uma excelente entrevista. Pois bem. O segundo café não foi exatamente de negócios, mas também teve conversa. Muita conversa. E os que seguiram também.
Até que a gente foi jantar. Eu e o Dr. Leonardo, no mesmo restaurante que há duas semanas eu fui com o último Zé Mané que me fez rachar a conta. E tomamos um belíssimo vinho chileno, daqueles que só se pede em ocasiões especiais. Na hora de brindar, ele ergueu a taça e disse que queria brindar a nossa companhia e eu quis morrer ali. Na verdade, casar ali.
Será que o Dr. Leonardo sabe que na virada do ano eu pulei no mar e pedi pra Iemanjá pra amar um homem de verdade? Ou é o Leo que entende que eu sou só uma menina que quer um menino pra andar de mãos dadas?
E ele me beijou com experiência, que é melhor que paixão. Bem melhor do que paixão. E quando descobriu que eu dançava, pediu pro dono do restaurante colocar um bolero bem baixinho. E me conduziu e eu girei. Quando eu pensei que o vinho me faria cair, ele segurava minhas costas com firmeza e colocava a barba mal feita no meu pescoço. E eu arrepiava e recuperava os sentidos, exatamente por perder cada um deles.
Ele me deixou na porta de casa com um beijo suave, leve. Com gosto de embriaguez. Ainda bem que ele não entrou. Na minha casa não tem onde colocar blasers e nem tem controles de vídeo-game. Mas no outro dia, de manhã cedinho, a secretária dele me ligou já que o Dr. Leonardo queria falar comigo. Eu atendi ao telefone com voz de preguiça, desejando um bom dia pro Leo, sabendo que eu veria o Leonardo. Só Leonardo. Simples como deve ser. Simples como tem sido esses dias ao lado dele. O Leonardo.

Ele me pediu pra que eu o chamasse de Leo. Ele não é lá muito Leonardo, mas também não chega a ser Leo. Tem panca de Leonardo com os blasers que devem custar mais de um mês do meu aluguel, o salário estratosférico e a mania de pagar as contas com um sorriso de cavalheirismo de quem nasceu no final da década de 70. A quantidade de livros, o conhecimento sobre arte e o gosto musical refinado são mesmo de Leonardo. Imponente, respeitoso. Dr. Leonardo.

Aí ele também vira Leo quando freqüenta os lugares que são moda entre os que têm metade da idade dele, quando bebe vinho e começa a falar de vídeo-game e desenho animado. Vira criança. Tira o blaser granfino e aparece com uma camiseta de futebol do time dos amigos. Parece que eu vejo a mãe gritando da janela “ô Leeeeeeo, vem pra casa que vai chover”.

Quando ele ainda era Dr., a gente saiu pra tomar um café de negócios. Na verdade eu sou jornalista e com a gente isso de fazer negócios sempre acaba numa boa conversa, que rende uma excelente entrevista. Pois bem. O segundo café não foi exatamente de negócios, mas também teve conversa. Muita conversa. E os que seguiram também.

Até que a gente foi jantar. Eu e o Dr. Leonardo, no mesmo restaurante que há duas semanas eu fui com o último Zé Mané que me fez rachar a conta. E tomamos um belíssimo vinho chileno, daqueles que só se pede em ocasiões especiais. Na hora de brindar, ele ergueu a taça e disse que queria brindar a nossa companhia e eu quis morrer ali. Na verdade, casar ali.

Será que o Dr. Leonardo sabe que na virada do ano eu pulei no mar e pedi pra Iemanjá pra amar um homem de verdade? Ou é o Leo que entende que eu sou só uma menina que quer um menino pra andar de mãos dadas?

E ele me beijou com experiência, que é melhor que paixão. Bem melhor do que paixão. E quando descobriu que eu dançava, pediu pro dono do restaurante colocar um bolero bem baixinho. E me conduziu e eu girei. Quando eu pensei que o vinho me faria cair, ele segurava minhas costas com firmeza e colocava a barba mal feita no meu pescoço. E eu arrepiava e recuperava os sentidos, exatamente por perder cada um deles.

Ele me deixou na porta de casa com um beijo suave, leve. Com gosto de embriaguez. Ainda bem que ele não entrou. Na minha casa não tem onde colocar blasers e nem tem controles de vídeo-game. Mas no outro dia, de manhã cedinho, a secretária dele me ligou já que o Dr. Leonardo queria falar comigo. Eu atendi ao telefone com voz de preguiça, desejando um bom dia pro Leo, sabendo que eu veria o Leonardo. Só Leonardo. Simples como deve ser. Simples como tem sido esses dias ao lado dele. O Leonardo.

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4 comentários em “A L.,

  1. Eu fico aqui boba acompanhando essas descrições, esses relatos, pensando “seria isso mesmo a vida ou eu estou lendo um romance da Marian Keyes ou quem sabe até assistindo a um filme de amor?”

    Caramba, caramba, caramba…

    *-*

    E o comentário ali… RI ALTO AHHAHAHAHAHAHHAHAHA! :x

    ;*

  2. Esse texto descreve tudo o que eu queria que acontecesse comigo, também com um doutor. Mas no caso, a secretária sou eu.
    Adorei, Marina

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