O pão de queijo de misericórdia

Olha, até que você foi bem legal. A gente jantou no meu restaurante favorito e você até soube escolher o vinho, e isso foi lindo. E a gente ficou com o rosto corado e até rimos da nossa embriaguez boba, no meio da semana. Aí você pegou a conta e isso foi tão bonito, sabe. Fazia tempo que alguém não pagava a conta com um sorriso no rosto e eu sabia que você queria fazer aquilo. E enquanto a transação do cartão era aprovada, meu rosto ficou vermelho. Eu maliciei, claro.
Aí a gente saia de mãos dadas e você parou pra me beijar – alguém já te disse que você beija divinamente? – e aí você passou a mão no meu rosto e me abraçou grande. E você me chama de pequena e eu malicio de novo, mas finjo que não. Você é tão romântico, afinal. E foi tão bonito quando você me mostrou o céu estrelado. Homem sensível é das coisas mais lindas.
Foi aí que a coisa degringolou. A gente entrou no carro e você me deu a mão, com toda a delicadeza do mundo me perguntou se eu queria r pra sua casa. Eu fiquei meio assustada com um pedido tão educado. Afinal de contas, essa pergunta – nem é pedido, é pergunta mesmo: “vamô lá, gatinha?” – sempre acontece com as mãos separadas. Trocadas, na verdade.
Eu aceitei querendo tirar a roupa ali mesmo e você colocou suavemente a mão na minha perna – mais perto do joelho, que fique claro – e a gente foi ouvindo blues e conversando sobre a comida, digo, gastronomia. Quando a eterna viagem de uns sete minutos até o seu sofá acabou, eu pensei que a coisa estivesse começando a engrenar. E você parou, pediu pra que eu sentasse no seu colo e disse o quanto gostava de mim.
Mais duas taças de vinho e eu já maliciava na cara dura mesmo. Peguei o Vicky, Cristina, Barcelona que você alugou e coloquei logo na cena da Penélope Cruz com a Scarlett Johansson – e o Javier Bardem, é claro. Aí não teve jeito.
Mas o tempo todo eu me perguntava porque tantas vezes você me pediu se estava tudo bem, quando estaria tudo muito melhor não fossem as suas mãos que não saiam das minhas e o seu olho que não desgrudava do meu. Eu só queria fazer careta, eu juro. Sexo sem careta não funciona tão bem. E você lá, me fazendo carinho, me jogando piscadinhas super-safadas.
No fim, torci pra gente terminar logo pra eu ir embora. Mas você me fez ficar. Não fosse a minha carência que nem dois garrafões de vinho vagabundo abrandariam, eu teria sido forte e negado. Depois de uma noite dormindo de conchinha e com muitas interrupções – para carinhos, beijinhos e sussurros, é claro – eu peguei no sono. O sono mais entediado que eu já tive.
Mas, foi só acordar e você veio com o golpe de misericórdia: o maldito pão de queijo quentinho que você tinha acabado de fazer pro nosso café da manhã super-romântico-a-dois. Eu mal engoli o pão de queijo e lembrei do compromisso mais sério da minha vida que tinha acabado de ser inventado naquele momento.
No caminho pra minha casa, joguei um charme pra um cara mais velho de aliança no dedo que parou ao meu lado no semáforo. E quando o sinal abriu, eu gargalhei. Eu era mesmo a pessoa mais difícil do mundo de entender.

Olha, até que você foi bem legal. A gente jantou no meu restaurante favorito e você até soube escolher o vinho, e isso foi lindo. E a gente ficou com o rosto corado e até rimos da nossa embriaguez boba, no meio da semana. Aí você pegou a conta e isso foi tão bonito, sabe. Fazia tempo que alguém não pagava a conta com um sorriso no rosto e eu sabia que você queria fazer aquilo. E enquanto a transação do cartão era aprovada, meu rosto ficou vermelho. Eu maliciei, claro.

Aí a gente saia de mãos dadas e você parou pra me beijar – alguém já te disse que você beija divinamente? – e aí você passou a mão no meu rosto e me abraçou grande. E você me chama de pequena e eu malicio de novo, mas finjo que não. Você é tão romântico, afinal. E foi tão bonito quando você me mostrou o céu estrelado. Homem sensível é das coisas mais lindas.

Foi aí que a coisa degringolou. A gente entrou no carro e você me deu a mão, com toda a delicadeza do mundo me perguntou se eu queria ir pra sua casa. Eu fiquei meio assustada com um pedido tão educado. Afinal de contas, essa pergunta – nem é pedido, é pergunta mesmo: “vamô lá, gatinha?” – sempre acontece com as mãos separadas. Trocadas, na verdade.

Eu aceitei querendo tirar a roupa ali mesmo e você colocou suavemente a mão na minha perna – mais perto do joelho, que fique claro – e a gente foi ouvindo blues e conversando sobre a comida, digo, gastronomia. Quando a eterna viagem de uns sete minutos até o seu sofá acabou, eu pensei que a coisa estivesse começando a engrenar. E você parou, pediu pra que eu sentasse no seu colo e disse o quanto gostava de mim.

Mais duas taças de vinho e eu já maliciava na cara dura mesmo. Peguei o Vicky, Cristina, Barcelona que você alugou e coloquei logo na cena da Penélope Cruz com a Scarlett Johansson – e o Javier Bardem, é claro. Aí não teve jeito.

Mas o tempo todo eu me perguntava porque tantas vezes você me pediu se estava tudo bem, quando estaria tudo muito melhor não fossem as suas mãos que não saiam das minhas e o seu olho que não desgrudava do meu. Eu só queria fazer careta, eu juro. Sexo sem careta não funciona tão bem. E você lá, me fazendo carinho, me jogando piscadinhas super-safadas.

No fim, torci pra gente terminar logo pra eu ir embora. Mas você me fez ficar. Não fosse a minha carência que nem dois garrafões de vinho vagabundo abrandariam, eu teria sido forte e negado. Depois de uma noite dormindo de conchinha e com muitas interrupções – para carinhos, beijinhos e sussurros, é claro – eu peguei no sono. O sono mais entediado que eu já tive.

Mas, foi só acordar e você veio com o golpe de misericórdia: o maldito pão de queijo quentinho que você tinha acabado de fazer pro nosso café da manhã super-romântico-a-dois. Eu mal engoli o pão de queijo e lembrei do compromisso mais sério da minha vida que tinha acabado de ser inventado naquele momento.

No caminho pra minha casa, joguei um charme pra um cara mais velho de aliança no dedo. E senti um alívio tão grande, que gargalhei. Eu era mesmo a pessoa mais difícil do mundo de entender.

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5 comentários em “O pão de queijo de misericórdia

  1. Difícil se seguir o raciocínio lógico. Mas dá de perceber que a narradora gosta principalmente do que ela faz quando diz que não está tudo bem.

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