Espere a primavera, Bandini.

Tanta coisa podia ter acontecido nesses últimos dias, né? A gente podia ter se amado loucamente no banheiro de uma festa badaladíssima, ou conversado num samba gostoso de ouvir e quem sabe até só se olhado, de longe – e eu estaria com uma das minhas batas e brincos estranhos e você acharia isso a coisa mais legal do mundo. Tudo bem, nada disso aconteceu só porque eu tenho ficado em casa imersa em edredons, cachecóis e páginas.
A gente, por outro lado, poderia ter ficado amigos. Parceiros mesmo. Já fiz amigos na praia, no ponto de ônibus, no café. A gente poderia ter se conhecido num parque, o que você acha? Eu estaria lendo um Fante qualquer e você faria um comentário qualquer e engrenaríamos um papo. Seria legal. O problema é que eu tenho dividido o mundo entre chatos-pseudo-intelectuais-metidos-a-besta (como eu) e ignorantes-pagodeiros-insuportáveis. Sobra pouca, ou nenhuma paciência pra lidar com nenhum deles.
Talvez eu pudesse te odiar. Sei lá, eu costumo fazer isso mesmo. Olhar pra tua cara de nada e odiar o nada e pronto: você entraria pra minha lista de odiados. Essa é a regra e são cada vez menos exceções. Talvez até você falasse com um sotaque enjoado ou fizesse alguma coisa exatamente como eu faço e eu te tivesse vontade de xingar até a sua vigésima geração de antepassados – e a dos seus futuros descendentes também. Eu só não fiz isso ou porque eu realmente acho que não te vi ou porque tenho evitado olhar muito pras pessoas – a lista de ódios já daria pergaminhos que cobririam a cidade.
Pensa pelo lado bom. Você não faz parte da minha lista de grandes paixões (e eu não sou insuportável contigo por isso), nem dos meus amigos (que costumam dizer que não conseguem me encontrar quando precisam de mim) e nem dos meus ódios (tá, esse é porque eu ainda não te conheço).
Quer um conselho? Espere a primavera, Bandini.

Tanta coisa podia ter acontecido nesses últimos dias, né? A gente podia ter se amado loucamente no banheiro de uma festa badaladíssima, ou conversado num samba gostoso de ouvir e quem sabe até só se olhado, de longe – e eu estaria com uma das minhas batas e brincos estranhos e você acharia isso a coisa mais legal do mundo. Tudo bem, nada disso aconteceu só porque eu tenho ficado em casa imersa em edredons, cachecóis e páginas.

A gente, por outro lado, poderia ter ficado amigos. Parceiros mesmo. Já fiz amigos na praia, no ponto de ônibus, no café. A gente poderia ter se conhecido num parque, o que você acha? Eu estaria lendo um Fante qualquer e você faria um comentário qualquer e engrenaríamos um papo. Seria legal. O problema é que eu tenho dividido o mundo entre chatos-pseudo-intelectuais-metidos-a-besta (como eu) e ignorantes-pagodeiros-insuportáveis. Sobra pouca, ou nenhuma paciência pra lidar com nenhum deles.

Talvez eu pudesse te odiar. Sei lá, eu costumo fazer isso mesmo. Olhar pra tua cara de nada e odiar o nada e pronto: você entraria pra minha lista de odiados. Essa é a regra e são cada vez menos exceções. Talvez até você falasse com um sotaque enjoado ou fizesse alguma coisa exatamente como eu faço e eu te tivesse vontade de xingar até a sua vigésima geração de antepassados – e a dos seus futuros descendentes também. Eu só não fiz isso ou porque eu realmente acho que não te vi ou porque tenho evitado olhar muito pras pessoas – a lista de ódios já daria pergaminhos que cobririam a cidade.

Pensa pelo lado bom. Você não faz parte da minha lista de grandes paixões (e eu não sou insuportável contigo por isso), nem dos meus amigos (que costumam dizer que não conseguem me encontrar quando precisam de mim) e nem dos meus ódios (tá, esse é porque eu ainda não te conheço).

Quer um conselho? Espere a primavera, Bandini.

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