Quinquilharias

Ontem fez um ano. Exatamente. E às sete horas eu fui lá. Na frente da loja de quinquilharias. Não fazia o mesmo frio, o céu não estava tão bonito nem eu queria ficar ali pra sempre. Mas eu fui lá. Sozinha. Um ano depois. Na frente da loja de quinquilharias.
É tão estranho conseguir perceber que o mundo não parou de girar, os carros não pararam de passar. Tudo, por um momento, parece muito fugaz. Quantas outras milhares de histórias que marcam vidas acontecem em lugares que são tão normais? Ali, na frente da loja de quinquilharias, eu me senti menor. E olha que eu nunca pensei que pudesse me sentir tão pequena quanto no meio de um abraço teu.
Passou um ano. Um ano inteiro. Aniversários, dias das mães, Natal, férias, praia. Passou um dos anos que eu tinha planejado te fazer feliz. E eu estava lá. Sozinha. Com quinquilharias expostas na vitrine. Bonecas medonhas com olhos de plástico que pareciam ter pena de mim. Comemorando na solidão do meu carro o aniversário do meu melhor conto, a minha maior história.
É incrível. Passou um ano. E você me disse que era pesado demais estar nas minhas páginas. Hoje eu sei que deve ser mesmo difícil ser eterno personagem, quando você, na verdade, é real. Desculpa. Mas é inevitável ter um príncipe, mesmo sem tranças.
Não é que eu não tenha beijado outras bocas, sentido outros cheiros, sonhado outros personagens. Meu luto sempre foi do lado de dentro. Mas aí, quando eu queria alguém com quem conversar sobre as minhas músicas favoritas, os meus discos mais queridos, os novos-velhos livros, a minha solidão e o meu silêncio era a tua companhia que eu desejava – e te aprendi insubstituível. Durante esse tempo todo, você foi meu porto-seguro emocional. E acho que vou ser eternamente náufraga.
Passou um ano. E os minutos do relógio não param pra respeitar o meu momento. O tempo sempre passa. Mas um ano… um ano. Será que você lembra que me abraçou pra tentar diminuir meu frio? E que ficamos muito tempo em silêncio porque é assim quando tudo o que se fala vai ser muito pouco? Você lembra que não sabíamos aonde ir e acabamos chegando em nós mesmos?
Ontem estávamos lá. Eu e as quinquilharias. E não faltava mais nada.
Eu não te quero de volta. Eu sei e você sabe. Assim: simples. Mas ontem eu fui lá, na frente da loja de quinquilharias. Só pra sentir o vazio. E, na volta pra casa – lembra que esses eram os planos? – eu abri o vidro, cantei bem alto e tive certeza: foi um ano bom.

Ontem fez um ano. Exatamente. E às sete horas eu fui lá. Na frente da loja de quinquilharias. Não fazia o mesmo frio, o céu não estava tão bonito nem eu queria ficar ali pra sempre. Mas eu fui lá. Sozinha. Um ano depois. Na frente da loja de quinquilharias.

É tão estranho conseguir perceber que o mundo não parou de girar, os carros não pararam de passar. Tudo, por um momento, parece muito fugaz. Quantas outras milhares de histórias que marcam vidas acontecem em lugares que são tão normais? Ali, na frente da loja de quinquilharias, eu me senti menor. E olha que eu nunca pensei que pudesse me sentir tão pequena quanto no meio de um abraço teu.

Passou um ano. Um ano inteiro. Aniversários, dias das mães, Natal, férias, praia. Passou um dos anos que eu tinha planejado te fazer feliz. E eu estava lá. Sozinha. Com quinquilharias expostas na vitrine. Bonecas medonhas com olhos de plástico que pareciam ter pena de mim. Comemorando na solidão do meu carro o aniversário do meu melhor conto, a minha maior história.

É incrível. Passou um ano. E você me disse que era pesado demais estar nas minhas páginas. Hoje eu sei que deve ser mesmo difícil ser eterno personagem, quando você, na verdade, é real. Desculpa. Mas é inevitável ter um príncipe, mesmo sem tranças.

Não é que eu não tenha beijado outras bocas, sentido outros cheiros, sonhado outros personagens. Meu luto sempre foi do lado de dentro. Mas aí, quando eu queria alguém com quem conversar sobre as minhas músicas favoritas, os meus discos mais queridos, os novos-velhos livros, a minha solidão e o meu silêncio era a tua companhia que eu desejava – e te aprendi insubstituível. Durante esse tempo todo, você foi meu porto-seguro emocional. E acho que vou ser eternamente náufraga.

Passou um ano. E os minutos do relógio não param pra respeitar o meu momento. O tempo sempre passa. Mas um ano… um ano. Será que você lembra que me abraçou pra tentar diminuir meu frio? E que ficamos muito tempo em silêncio porque é assim quando tudo o que se fala vai ser muito pouco? Você lembra que não sabíamos aonde ir e acabamos chegando em nós mesmos?

Ontem estávamos lá. Eu e as quinquilharias. E não faltava mais nada.

Eu não te quero de volta. Eu sei e você sabe. Assim: simples. Mas ontem eu fui lá, na frente da loja de quinquilharias. Só pra sentir o vazio. E, na volta pra casa – lembra que esses eram os planos? – eu abri o vidro, cantei bem alto e tive certeza: foi um ano bom.

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