A última, de novo

Mais uma vez nós dois, mais uma vez o passado. Parece que vai ser sempre assim. Se eu te devia explicações, você me deve uma história. Mais uma vez nós dois. Mais uma vez as verdades escondidas nas entrelinhas e nas xícaras.

Dessa vez, sou eu quem emudeço. É a minha vez de ouvir, e a tua vez de falar. É difícil perceber e mais difícil ainda aceitar que os ponteiros dos nossos relógios nunca tenham se acertado. Enquanto eu fugia, você me adorava. Enquanto eu te amava, você se escondia. Dois sem leite, por favor?

É tão bonito te ver falando de nós, como se nunca tivéssemos desatado as amarradas de uma vida planejada em pouco tempo, mas com muita intensidade. Nós podem ser cegos. Não vimos e agora me faltam palavras pra definir teus azuis. As amarras se desprenderam sutilmente, sem dramas e complicações. Não somos nós, mas nunca deixaremos de ter sido.

Eu olho teu pulso e sorrio. Vejo movimentos da tua boca, sinto meus olhos ficarem mais molhados. Em cada uma das minhas lágrimas, eu queria ter ouvido tua frases banais e teus sentimentos intensos. E agora eu vejo tua boca mexendo. E meus pensamentos viajam. Você me disse um dia, que eu era escancarada sentimento. Se for, sou teu espelho nesse momento.

Sim, como você cresceu. Não em tamanho, já que o teu abraço continua sendo grande. Não em idade, já que continuas tendo a beleza da juventude. Mas você cresceu. E você me diz que tenho culpa nisso. Pudera! Pudera eu ser culpada de transformar frieza em carinho puro.

Eu faço piadinhas, nós falamos de planos em dimensões diferentes. É tão leve essa intensidade, que eu tenho a sensação de sufocar quando você levanta. Mas eu sinto leveza quando você vai. É um quase desamor, que nunca deixou de ser paixão. Eu acho que nunca vou deixar de me perguntar porque não deu certo. E já não importa porquê.

Eu sinto tanto, mas é tarde demais. Mesmo que o pra sempre da nossa história nunca vá acabar. Ela terminou sendo pra sempre. Pelo menos até a próxima última conversa.

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5 comentários em “A última, de novo

  1. Eu imaginei como se fosse um diálogo mas sem os travessões, e um relacionamento acabado mas que fosse tudo em paz, aquela sutileza de movimentos, lembranças, e sempre, a companheira de intensidade.

    Adorei, lindo *-*

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