Aquela resposta

“Sabe quando a gente faz a unha e tem aquela pontinha? Aquele nada, que nem o homem mais metrossexual do mundo vai reparar? Você cutuca, empurra, acaba se cortando e a porra da pele continua lá?”. Ele me olhou com cara que misturava insatisfação com a minha tentativa de fugir do assunto e decepção pela minha analogia besta. 

Aí eu recebo um e-mail de uma das minhas melhores amigas perguntando “e aí, bicho, o que ele representa pra ti agora?”. Eu respondo que ele é a sujeira que eu escondo embaixo da cama. Talvez já tenha se transformado num monstro e pra evitar o medo eu simplesmente não olho mais. Ela diz que fugir só vai me assustar mais quando ele vier puxar meu pé a noite e eu digo que prefiro não dormir mais.

Falando em falta de sono, esses dias eu conversava com um grande amigo de madrugada, na internet. Ele falava do namoro fracassado e me pediu o que ele era pra mim agora. Eu disse que na vida existiam três tipos de pessoas: as vírgulas, os pontos finais e as reticências. Ele voltou a falar dele e eu fingi que não li a besteira que eu mesma escrevi.

Tem um amigo meu que detesta ele. Na verdade ele detesta o que eu me tornei por causa dele, mesmo que ele não tenha a menor culpa. Dia desse ele estranhou o meu silêncio e veio pedir o que eu sentia. “E aí, nega, qual é o tamanho atual do estrago?”. Eu respondi que ele era tipo porre de Martini, que não embriaga, mas também não dá ressaca.

Minha mãe, que me ama mais do que qualquer pessoa no mundo, esses dias me perguntou dele. “E aquele moço bacana que tu passavas horas conversando?”. Eu disse que ele era como aquelas garrafas de vinho que estão há anos lá no fundo do armário: eu preferia esconder, porque se eu visse, não conseguiria segurar a minha vontade de me embriagar. Ela riu, e tenho certeza que entendeu.

O problema é que todas as minhas péssimas analogias são só fugas de uma resposta que eu sei bem qual é. E eu odeio quando, no escuro do meu quarto, depois de acordar no meio da noite de mais um sonho com ele, meus desejos são diretos e eu não consigo mentir nem pra mim mesma.

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Um comentário em “Aquela resposta

  1. Eu disse que ele era como aquelas garrafas de vinho que estão há anos lá no fundo do armário: eu preferia esconder, porque se eu visse, não conseguiria segurar a minha vontade de me embriagar.

    acho que isso serve pra mim também… e que eu preciso deixar, minha garrafa de vinho “branco” bem guardado..pra quem sabe saqui a uns anos :)

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