Eu não paro

Eu queria que alguém pegasse a minha mão e me mostrasse o caminho certo. Eu queria que alguém pegasse a minha mão e me levasse para algum lugar onde eu não ouvisse a minha própria voz, onde eu conseguisse sentir um pouco de paz, onde a minha solidão fosse só a minha solidão e pudesse ser jogada num canto qualquer do mundo. Queria o barulho do mar, da chuva e queria não ouvir os meus passos na areia.

Eu não quero mais correr das minhas dúvidas e nem quero que elas sumam. Quero só conseguir dividir, discutir, discorrer. Não quero esquecer o passado (e nem mimeografar o futuro), não quero fingir, mentir, sofrer. Quero conseguir expressar a minha tristeza só pra ela não ficar mais engasgada na minha garganta, parar o tempo, sentir o vento sem máscara e sem jeito.

Eu não quero o ofurô mais charmoso do mundo, nem o hotel mais cheio de estrelas que a bandeira do Brasil. Não quero a melhor vista do pro mar, os melhores passeios e os mais arrojados passeios. Eu queria um pouco de mim, um pouco de alguém, um pouco de verdade.

Eu quero não ser mais a menina mimada que quer tudo e quero poder querer um abraço de verdade. Eu quero um edredom, um café, um óculos e um pouco de filosofia. Eu queria o som da minha respiração, a melodia do violão e o poder do vento. Eu queria esquecer toda a tecnologia e inspirar um pouco de vida. Eu queria não precisar pensar se eu acredito no amanhã, na felicidade e no amor. Eu queria sentir o amanhã, a felicidade e o amor.

Eu queria descobrir a minha verdade, queria conseguir me mostrar em mil facetas, queria conseguir que meus pensamentos emanassem um pouco mais do que faíscas de solidão. Eu queria uma fuga, uma trilha perigosa e desconhecida dentro de mim.

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3 comentários em “Eu não paro

  1. Um pouco de verdade, um pouco de intensidade, um pouco de amor, um pouco de tudo e menos de você mesmo.

    É disso que todo mundo precisa.

    Bom começo de julho :)

  2. São realmente coisas simples o que queremos na vida. O grande mal é que, às vezes, leva tempo para percebermos isso.

    Impossível ler o texto e não me lembrar de Casa no Campo, da Elis.

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