A volta do sonho

Aos treze, eu sonhava que um príncipe de contos de fadas aparecesse num cavalo branco e me levasse pra passar uma tarde bonita em um parque. Ele não tinha um rosto e eu estava mesmo é pouco me lixando para as aparências, eu só queria uma companhia que me fizesse voar sem tirar os pés do chão. Desde ainda menor, meu sonho sempre foi a reciprocidade do amor – mesmo que eu não soubesse o que é reciprocidade e talvez ainda não saiba o que é o amor.

Aos quinze, eu vivi alguns dos momentos mais bonitos da minha vida. Mesmo sabendo que a plebéia não seria, nos meus sonhos, quem lutaria pelo príncipe, eu me esforcei e fui atrás. Enfrentei cada um dos monstros que apareceram na minha frente e, acreditem, foram muitos. Vivi um capítulo de conto de fadas meio as avessas, meio torto, mas bonito. Os monstros cresceram e as minhas sobrevidas cessaram. Depois de um tempo, eu parei de acreditar que viveria como nos meus sonhos.

Aos dezessete, eu já tinha tido alguns sapos e vivido algumas histórias, que não se aproximavam do meu sonho de contos de fadas, mas, também, que pareciam fazer muito sentido pra loucura em que eu vivia. Ao invés de violões, eu ouvia baterias alucinadas. Ao invés de um passeio bonito de mãos dadas, eu ia a shows e voltava sempre com a mesma sensação de ter entrado num cinzeiro. Tudo bem, eu pensava que os príncipes eram só invenções de uma sociedade autoritária e estava mesmo é cagando pro romantismo da vida.

Aos quase-vinte (e isso me assusta), depois de muito tempo, eu voltei a acreditar em príncipe encantado. Com a mesma pureza e inocência do que aos treze, com um especial sabor de ter um rosto para imaginar. Eu voltei a acreditar que as coisas podem ser simples, que as discussões podem ser extremamente prazerosas e que, no fundo, os meus sentimentos de menina estavam guardados em algum canto do meu peito pra quando ele chegasse.

Eu vivo um momento lindo. Eu vivo nas páginas das minhas palavras, nas entrelinhas e nas subjetividades de parágrafos escritos com sentimentos tão simples e tão sutis que me parecem irreais. Eu vivo, como nunca pensei viver antes, a intensidade de um abraço. Eu voltei a acreditar em contos de fadas, no romantismo inabalável e no destino. Eu voltei a acreditar em príncipe encantado com os olhos da cor do mar.

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11 comentários em “A volta do sonho

  1. Os sonhos são os únicos capazes de nos fazer acreditar que algo sempre, sempre, existe.

    Aproveite cada segundo dele.

  2. Torço, sempre, pra que nunca acabe esse jeito de ver as coisas. Um novo ângulo pro mesmo sentimento de outrora. Logo, uma nova perspectiva.

    (ded0) nhááá

    beijo, morena!
    =)

  3. Êlaiá =P
    estes cones e nhonhos da vida =P
    eu sempre quis dizer isso =)
    mas na verdade… o sexo demora pra ficar bom =/

    Amo. Beijo

  4. Bem, eu, particularmente, prefiro acreditar nas pessoas reais. Mesmo pq não sou nenhuma princesa, dessas doces e perfeitas dos contos-de-fadas. rs. Claro que essas pequenas questões não atrapalham em nada os momentos mágicos que o amor nos faz viver.
    Beijos.

  5. aww, o amor, que coisa mais linda, que coisa mais bela! :D

    eu acredito em príncipes. passei por um momento de descrença tb, mas hoje tenho certeza que eles existem. ainda não encontrei o meu, mas não ligo de beijar sapinhos simpáticos até ele aparecer :)

    desejaria-lhe toda a felicidade do mundo e sucesso no seu romance, mas acho que seria meio redundante, né? hahahahahahaha

    beijo enorme, querida :*

  6. Eu acreditava em amor platônico. Fiquei afim de um menino por quatro anos, só sonhando, achando que um dia ele viria até mim e apenas perguntar o meu nome, pegar na minha mão e mexer no meu cabelo. Que nada. Quanto mais eu pensava nele, mais ele parecia se afastar de mim.

    E agora estou no mesmo dilema. E me supreendendo cada vez mais. É a vida. É assim. Acho que vai ser assim até acabar.

    Adoro aqui. Aprendo muito lendo seus textos.

  7. Lindooo…
    Dá para sonhar e recordar de outros sonhos apenas lendo.
    Sabe o que me assusta somente? Saber que passei dos 20 acreditando no dito príncipe…

    Ameiii mesmo assim!

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