Mudança de hábitos

Ando ainda mais instável do que o habitual, tenho assistido mais vezes Closer do que o habitual e ouvido mais músicas que eu realmente gosto do que o habitual. Os meus hábitos mudaram e alguma coisa grita no meu ouvido que ainda vão mudar, e muito.

Hoje eu troco, tranquilamente e sem nenhum peso na consciência, uma balada cheia de gente conhecida, com música alta e um monte de sorrisos embriagados por um café charmoso, com um capuccinno caprichado e uma chuva pra melhorar ainda mais o clima. Sim, eu gosto de dividir esses programas com alguns dos meus amigos, mas como muitos deles não estão no mesmo clima – e eu sinto uma necessidade doída de estar sozinha -, acabou virando normal dobrar a esquina da minha casa ouvindo só os meus próprios passos.

Eu me sinto velha. Ainda nem cheguei aos vinte e alguns dos meus amigos dizem que eu ainda nem sai das fraldas. Talvez seja, mesmo. Mas, e daí? Eu me sinto cansada, mudada, crescida.

Na verdade, tenho que assumir: eu sempre quis chegar nesse ponto que a minha vida está agora. Minha semana vive recheada de almoços bacanas, seja com o pessoal do trabalho ou com as minhas amigas que são tão diferentes umas das outras. Tomo cafés aos finais de tarde com pessoas interessantes, solto gargalhadas numa freqüência antes inatingível e tenho degustado os mais deliciosos pães de queijo da minha vida. Quem me conhece pelo menos um pouco sabe que esse tipo de programa diurno e sutil é simplesmente o apogeu dos meus sonhos de consumo.

Hoje eu já não vou a festas por impulso, já não organizo excursões pra shows de metal, já não confio em alguém imediatamente (já, às vezes, ainda não me contenho). Tenho poucos amigos que eu realmente coloco a mão no fogo, mas tenho várias pessoas agradabilíssimas ao meu redor. Não sinto tanto medo da solidão e agora consigo conviver com ela numa boa, embora tente pensar num príncipe encantado de vez em quando pra não deixar de acreditar. Hoje eu já não fico triste todas as vezes que alguém importante vem me dizer que não gosta dos meus textos, talvez porque eu tenha entendido que as melhores coisas da minha vida foram aquelas que só eu mesma aprovei.

Eu ainda me divirto muito ao som de Queen, ainda não consigo não suspirar com o Bon(m) Jovi, ainda tenho vontade de ir a shows e passar a noite pulando. Mas eu sinto que quero ir embora cada vez mais cedo e lembro da minha cama e do meu computador com cada vez mais saudades. É claro que eu continuo indo até o chão (ão-ão-ão) e me matando de dar risada, rebolando feito louca e extravasando todas as minhas energias em festas bacanas. Mas agora eu escolho meticulosamente em quais locais darei meus vexames.

Sempre preferi teatros e cadeiras a multidões e saltos altos. Sempre gostei de guitarras, mas sempre preferi os violões. Nunca me importei em pagar um pouco mais caro e ir ao melhor restaurante. Acho que eu sempre fui velha e nunca tive segurança suficiente para viver isso sozinha.

Estou me doando menos aos outros e, do meu jeito, me dedicando um pouco mais a mim. Estou preferindo a solidão, confesso. Mas não estou me isolando e nem deixando de falar e rir com as pessoas que eu gosto (até porque não falar pra mim é praticamente impossível). Não sei explicar porque, mas eu tenho sido uma boa companhia pra mim, talvez pela primeira vez na vida.

Vivo uma fase tão intensa comigo mesma, que acho que acabei descobrindo que todas as minhas crises, indecisões e fúrias acabam canalizando as minhas dores e deixando que a minha felicidade seja felicidade em paz. Confesso que escrever e raciocinar está cada vez mais difícil, mas encher os pulmões de ar agora está bem mais fácil. 

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15 comentários em “Mudança de hábitos

  1. olha, hj nao vou nem ler.
    leio amanhã.
    só te digo 1 única coisa.
    vc jah tem compromisso marcado no dia 7.
    Superguidis no Obs.
    =D
    superguidis no oooooobssss!!!!!

  2. ainda bem q nao sou aquelas pessoas q te dizem q teus textos sao ruins…
    quero café ctg…e que bom que tais em paz com a tua solidão…to qse lá…
    e eu nao consigo descer até o chao ehheeh
    saudade…
    e eu escrevo mto mal, olha o tp do meu comentario…as pessoas aqui fazem comentarios tao tao…sei lá, tao “tao” ehhehehe
    :*
    amo!

  3. e só pra deixar registrado…
    nunca me senti tao velha como me sinto agora…imagina qdo eu for velha mesmo…

  4. dã, óbvio, nunca fui mais velha do q agora, sempre fui mais nova do q sou agora…eiaaaa, mas entendesse, sempre entendes huahauhua

  5. …quando fizer calor e quiser ir pra praia de CARARATATUBA… sabe né?

    como sempre, vomitando poesia com as mais simples palavras!

    Mas, Ainda Redigirei Igual – No máximo – Ato. MELhor? CapaZ! =)

  6. eu sou velha ‘merrmo’, e com orgulho. acho que a vida chega num ponto em que definimos claramente o que gostamos ou não. então se me chamarem para ir a um show de uma banda que gosto, arranjo um pique sobrenatural e pulo até não sentir mais meus pés… mas só pensar em me maquiar para uma balada me cansa profundamente.

    que bom que voce descobriu seus “gostares” antes dos vinte. e me chame quando for ao teatro ou se quiser tomar um café! :)

    :* flor

  7. Olha, conforme a gente tem conversado nos últimos dias, temos percebido que a identificação entre suas convicções e as minhas, tbém tenho me sentido um velho, isso faz tempo. O bom, e eterno café é companheiro, e ajuda muito. Resgatar coisas boas, que ficaram pra trás é ótimo.Renova o espírito e encoraja. Boa semana. Beijo

  8. Creio que é uma fase boa, Marina. Nem sempre o que nos dá mais prazer é aquilo que nos causa mais euforia. A gente precisa aprender a curtir nossa própria companhia, que é a única que teremos com toda certeza até o fim.
    Beijos.

  9. Achei tão bom esse texto. Não só pela forma com que ele foi escrito, mas a mensagem que ele traz consigo. Já tive o prazer de experimentar minha companhia. E foi uma das melhores coisas que fiz por mim naquele dia, para os tempos que eu enfrentava. E lendo seu texto, lembrei-me do quão fui importante para mim mesma e de como precisamos desses tempos com nós mesmos e que, às vezes, não enxergamos.
    Bjitos!

  10. Marina, perfeito seu texto.
    Perfeito porque é sincero, estruturado.
    Perfeito porque ele é você.

    Sabe, acho “charmoso” ser velho como descreves no texto. O seu “ser velho” está mais para mim como ser maduro, estável. Gosto disso. Vi você entusiasta, cheia de energia. E vi (vejo, mesmo que distante) você assim, madura. Amo-a das duas formas, e fico feliz por vê-la enquadrada no que você vive.

    E adoro café. Preciso comprar uma máquina de café expresso!

    Depois do dia 11/06, quando eu entregar meu TCC, você toma café comigo?

    Beijo com saudades!

  11. nossa, mas que “bah” hauaha
    eu sinto exatamente isso
    só trocaria o café por um chá hauaha
    não acho que seja “coisa de velha”
    talvez seja alguma espécie de evolução da Mah hauaha
    esse negócio de música alta demais, onde vc mal consegue falar quem dirá ouvir
    toda essa baderna e confusão
    toda essa pegação sem um “oi” hauaha
    é mto artificial, e pessoas que curtem viver algo forte, concreto, real mesmo….se importam com isso, acho que é mto por aí tbm….
    mto bom o site, poxa com o teu nome,
    que chiqueza ein! hehehe parabéns…
    beijos

  12. Amei esse tbém!!!e
    Já passei por isso, é tão glamuroso, nos sentimos mulheres hein?
    Fracas para algumas situações, mais fortes pra outras. Enetendo o que você escreve.
    É uma fase maravilhosa, aproveite!
    Bjus

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