O cúmulo do texto

Sou o cúmulo da instabilidade. Chego ao ridículo de mudar de comportamento de um minuto pro outro, de opinião de um minuto pro outro, de vontade de um minuto pro outro. Atinjo picos momentâneos que me fazem pensar que eu não tenho jeito. E, ah, talvez possa ter jeito um dia.

Sou o cúmulo da inocência. Deixo que pisem em mim. Indico empregos, amigos, médicos, remédios. Não recebo nada em troca e continuo fazendo. Faço porque gosto de ver os outros felizes, e choro quando percebo que, mais uma vez, não é um sentimento recíproco.

Sou o cúmulo do tédio, da chatiçe, da ignorância. Não leio tanto quanto deveria, não tenho papo quanto deveria, não sou legal quanto deveria. Vivo sempre na minha vidinha de relacionamentos, trabalho, família e só. O cúmulo, o cúmulo. E acho o cúmulo até que suportável as vezes.

Sou o cúmulo da ligação sentimental. Não consigo cagar na cabeça de quem caga na minha, porque, ah, ele pelo menos tem o trabalho de mirar pra me acertar. Não consigo deixar emprego, inimigo, amigo, roupa velha, papel velho. O cúmulo do valor emocional.

Sou o cúmulo da sentimentalidade. O cúmulo do desejo. O cúmulo na crença da reciprocidade. Eu quero ser valorizada tanto quanto valorizo, receber tanto quanto dou, ser agradecida tanto quanto agradeço, ser abraçada como eu abraço. Eu quero que os outros sintam na mesma verdade e intensidade o que eu sinto.  Ufa, pelo menos o mundo não é feito de tantas pessoas viciadas em reciprocidade assim. Sou o cúmulo do ridículo.

Sou o cúmulo do silêncio. Falo demais e acabo por não dizer nada.

Sou o cúmulo do futuro, que de tão (mas tão, mas tãããão…) planejado acaba mudando a cada dia. O cúmulo da indecisão. Daquele tipinho que não consegue nem escolher uma cor se a mãe não estiver junto.

Sou o cúmulo de mim mesma. Aquele cúmulo que enjoa, enxe o saco, mas que no final das contas é o cúmulo. Pelo menos isso.

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7 comentários em “O cúmulo do texto

  1. ás vezes é sofrível viver esses cúmulos.
    Intensidade acho que tem a ver com isso. A gente acaba se ferrando por não ter medo de viver, não é?

    Marina, to com tanta saudades de ti!
    =***

  2. A vida oscila tanto quanto seus cúmulos, e, na certa, na hora certa é q vc deve encontrar o ideal que busca.

    O cúmulo da pressa é que não pode haver…

  3. Oi Marina!

    Vi seu post de outubro sobre sua frustração sobre seu curso de Jornalismo. Que engraçada que a vida é. Faço Medicina, e me sinto criativa o bastante a ponto de achar meu curso medíocre e achar que deveria fazer algo que usasse mais minha habilidade para escrever.
    Então sempre pensei em fazer Jornalismo, e me imaginava numa redação , escrevendo artigos interessantes e tudo o mais. Aí surtei hoje, tive uma crise profissional, estava procurando blogs falando sobre jornalismo e achei o seu. e li seu post.

    Então eu fui ingênua?
    Continuo Medicina?
    Por que tudo é ruim nesse país?

    Beijos

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