Auto-devolução
Você me conheceu no meu pior dia. Mas eu senti os meus olhos brilharem quando você desceu do carro se ofereceu para colocar os meus dois filmes na auto-devolução. E não teve como não sorrir quando eu vi que eram exatamente os mesmos dois filmes que você tinha para devolver. E aí não tive como negar um café – era logo o único dia da semana que eu me permito atrasar e, se não fosse, seria o único dia que eu não posso em atrasar que eu me atrasaria.
E quando eu entrei no teu carro, eu já tinha me apaixonado por você antes de ouvir a banda legal que tocava e antes mesmo de ver o livro que estava em cima do banco. Você pediu um café sem leite e eu quis casar com você ali. Você pediu um casadinho e eu comecei a gargalhar com esse teu jeito meio estranho de me dizer que lê pensamentos.
Aí você me perguntou o que eu fazia da vida. E quando eu comecei a te explicar o que eu fazia no trabalho, você me perguntou o que eu fazia pra me divertir. E quando eu te disse que aceitava cafés com estranhos que eu encontro na porta da locadora, você sorriu, deitou a cabeça para a esquerda, ajeitou os óculos e pegou na minha mão.
E antes que eu dissesse qualquer coisa, você me propôs um trato: sem mais devoluções por aquele dia. E eu pago todas as multas do mundo pra estar contigo porque, no meu pior dia, você me devolveu a cinematográfica sensação de o final vai ser feliz.
Ficou muito bonito, isso aí.
óhn! (suspiro) que foto isso! =]
Que lindo isso Marina. Um romance digno de Oscar.