9 Julho 2009

O que a gente faz

Agora a pouco, há bem pouco tempo mesmo, eu me perguntei o que é que a gente faz, afinal de contas. Se não deveríamos fazer nada, mas a gente só consegue fazer tudo. O que acontece quando você encosta a barba mal feita no espaço entre o meu ombro e o meu rosto, bem ali onde você sabe que mora meu arrepio? A gente acontece, eu sei. Mas é fazer acontecer ou é simplesmente acontecer sem ninguém fazer?
E você ri e diz que é meu disk-sexo-fácil. Não é que seja verdade, mas também não é longe de ser mentira.  Eu te convido pra jantar, a gente come enquanto fala sobre coisas que nem você nem eu queremos saber, só pra ter certeza que mantemos aquela distância de amigos descolados que nós nunca fomos. E a gente ri. De nervoso, de piada, de novidade, de sempre. A gente se ri. E não existe coisa melhor do que te rir e te sentir me rindo. Como sempre, como nunca.
E aí a comida acaba e a gente inventa de dançar. E a gente ri porque os passos têm conotações sexuais com a cara mais lavada do mundo. E a gente tira o sofá, tira o chinelo, tira a roupa, tira a máscara. A pele fica a mostra só pra gente ver, e a gente fecha os olhos.
O que a gente faz é dançar no escuro, é se deixar levar, é anular um sentido pelo outro. É acabar com o sentido de todas as conversas definitivas que já tivemos. É olho no olho, é poder fazer piada durante o sexo é segurar na mão como se fossemos o que nunca deixamos de ser.
E a gente fica horas conversando sobre os nossos amigos em comum, querendo ajudar a eles sem perceber que a gente é que se ajuda quando ficamos falando dos outros ao invés de perceber o eterno problema que somos nós. E o que a gente faz quando se fala todos os dias e dança dois pra lá, dois pra cá quando na verdade deveríamos ir cada um pra um canto?
O que a gente faz, ao término das minhas análises, é um quase fazer amor. Só não é amor porque o que a gente faz não tem depois e o amor não termina nunca. O que a gente faz é sexo com amor. Não é amar. Definitivamente, não é amar.

Agora a pouco, há bem pouco tempo mesmo, eu me perguntei o que é que a gente faz, afinal de contas. Se não deveríamos fazer nada, mas a gente só consegue fazer tudo. O que acontece quando você encosta a barba mal feita no espaço entre o meu ombro e o meu rosto, bem ali onde você sabe que mora meu arrepio? A gente acontece, eu sei. Mas é fazer acontecer ou é simplesmente acontecer sem ninguém fazer?

E você ri e diz que é meu disk-sexo-fácil. Não é que seja verdade, mas também não é longe de ser mentira.  Eu te convido pra jantar, a gente come enquanto fala sobre coisas que nem você nem eu queremos saber, só pra ter certeza que mantemos aquela distância de amigos descolados que nós nunca fomos. E a gente ri. De nervoso, de piada, de novidade, de sempre. A gente se ri. E não existe coisa melhor do que te rir e te sentir me rindo. Como sempre, como nunca.

E aí a comida acaba e a gente inventa de dançar. E a gente ri porque os passos têm conotações sexuais com a cara mais lavada do mundo. E a gente tira o sofá, tira o chinelo, tira a roupa, tira a máscara. A pele fica a mostra só pra gente ver, e a gente fecha os olhos.

O que a gente faz é dançar no escuro, é se deixar levar, é anular um sentido pelo outro. É acabar com o sentido de todas as conversas definitivas que já tivemos. É olho no olho, é poder fazer piada durante o sexo é segurar na mão como se fossemos o que nunca deixamos de ser.

E a gente fica horas conversando sobre os nossos amigos em comum, querendo ajudar a eles sem perceber que a gente é que se ajuda quando ficamos falando dos outros ao invés de perceber o eterno problema que somos nós. E o que a gente faz quando se fala todos os dias e dança dois pra lá, dois pra cá quando na verdade deveríamos ir cada um pra um canto?

O que a gente faz, ao término das minhas análises, é um quase fazer amor. Só não é amor porque o que a gente faz não tem depois e o amor não termina nunca. O que a gente faz é sexo com amor. Não é amar. Definitivamente, não é amar.

7 Julho 2009

A L.,

Ele me pediu pra que eu o chamasse de Leo. Ele não é lá muito Leonardo, mas também não chega a ser Leo. Tem panca de Leonardo com os blasers que devem custar mais de um mês do meu aluguel, o salário estratosférico e a mania de pagar as contas com um sorriso de cavalheirismo de quem nasceu no final da década de 70. A quantidade de livros, o conhecimento sobre arte e o gosto musical refinado são mesmo de Leonardo. Imponente, respeitoso. Dr. Leonardo.
Aí ele também vira Leo quando freqüenta os lugares que são moda entre os que têm metade da idade dele, quando bebe vinho e começa a falar de vídeo-game e desenho animado. Vira criança. Tira o blaser granfino e aparece com uma camiseta de futebol do time dos amigos. Parece que eu vejo a mãe gritando da janela “ô Leeeeeeo, vem pra casa que vai chover”.
Quando ele ainda era Dr., a gente saiu pra tomar um café de negócios. Na verdade eu sou jornalista e com a gente isso de fazer negócios sempre acaba numa boa conversa, que rende uma excelente entrevista. Pois bem. O segundo café não foi exatamente de negócios, mas também teve conversa. Muita conversa. E os que seguiram também.
Até que a gente foi jantar. Eu e o Dr. Leonardo, no mesmo restaurante que há duas semanas eu fui com o último Zé Mané que me fez rachar a conta. E tomamos um belíssimo vinho chileno, daqueles que só se pede em ocasiões especiais. Na hora de brindar, ele ergueu a taça e disse que queria brindar a nossa companhia e eu quis morrer ali. Na verdade, casar ali.
Será que o Dr. Leonardo sabe que na virada do ano eu pulei no mar e pedi pra Iemanjá pra amar um homem de verdade? Ou é o Leo que entende que eu sou só uma menina que quer um menino pra andar de mãos dadas?
E ele me beijou com experiência, que é melhor que paixão. Bem melhor do que paixão. E quando descobriu que eu dançava, pediu pro dono do restaurante colocar um bolero bem baixinho. E me conduziu e eu girei. Quando eu pensei que o vinho me faria cair, ele segurava minhas costas com firmeza e colocava a barba mal feita no meu pescoço. E eu arrepiava e recuperava os sentidos, exatamente por perder cada um deles.
Ele me deixou na porta de casa com um beijo suave, leve. Com gosto de embriaguez. Ainda bem que ele não entrou. Na minha casa não tem onde colocar blasers e nem tem controles de vídeo-game. Mas no outro dia, de manhã cedinho, a secretária dele me ligou já que o Dr. Leonardo queria falar comigo. Eu atendi ao telefone com voz de preguiça, desejando um bom dia pro Leo, sabendo que eu veria o Leonardo. Só Leonardo. Simples como deve ser. Simples como tem sido esses dias ao lado dele. O Leonardo.

Ele me pediu pra que eu o chamasse de Leo. Ele não é lá muito Leonardo, mas também não chega a ser Leo. Tem panca de Leonardo com os blasers que devem custar mais de um mês do meu aluguel, o salário estratosférico e a mania de pagar as contas com um sorriso de cavalheirismo de quem nasceu no final da década de 70. A quantidade de livros, o conhecimento sobre arte e o gosto musical refinado são mesmo de Leonardo. Imponente, respeitoso. Dr. Leonardo.

Aí ele também vira Leo quando freqüenta os lugares que são moda entre os que têm metade da idade dele, quando bebe vinho e começa a falar de vídeo-game e desenho animado. Vira criança. Tira o blaser granfino e aparece com uma camiseta de futebol do time dos amigos. Parece que eu vejo a mãe gritando da janela “ô Leeeeeeo, vem pra casa que vai chover”.

Quando ele ainda era Dr., a gente saiu pra tomar um café de negócios. Na verdade eu sou jornalista e com a gente isso de fazer negócios sempre acaba numa boa conversa, que rende uma excelente entrevista. Pois bem. O segundo café não foi exatamente de negócios, mas também teve conversa. Muita conversa. E os que seguiram também.

Até que a gente foi jantar. Eu e o Dr. Leonardo, no mesmo restaurante que há duas semanas eu fui com o último Zé Mané que me fez rachar a conta. E tomamos um belíssimo vinho chileno, daqueles que só se pede em ocasiões especiais. Na hora de brindar, ele ergueu a taça e disse que queria brindar a nossa companhia e eu quis morrer ali. Na verdade, casar ali.

Será que o Dr. Leonardo sabe que na virada do ano eu pulei no mar e pedi pra Iemanjá pra amar um homem de verdade? Ou é o Leo que entende que eu sou só uma menina que quer um menino pra andar de mãos dadas?

E ele me beijou com experiência, que é melhor que paixão. Bem melhor do que paixão. E quando descobriu que eu dançava, pediu pro dono do restaurante colocar um bolero bem baixinho. E me conduziu e eu girei. Quando eu pensei que o vinho me faria cair, ele segurava minhas costas com firmeza e colocava a barba mal feita no meu pescoço. E eu arrepiava e recuperava os sentidos, exatamente por perder cada um deles.

Ele me deixou na porta de casa com um beijo suave, leve. Com gosto de embriaguez. Ainda bem que ele não entrou. Na minha casa não tem onde colocar blasers e nem tem controles de vídeo-game. Mas no outro dia, de manhã cedinho, a secretária dele me ligou já que o Dr. Leonardo queria falar comigo. Eu atendi ao telefone com voz de preguiça, desejando um bom dia pro Leo, sabendo que eu veria o Leonardo. Só Leonardo. Simples como deve ser. Simples como tem sido esses dias ao lado dele. O Leonardo.

3 Julho 2009

O pão de queijo de misericórdia

Olha, até que você foi bem legal. A gente jantou no meu restaurante favorito e você até soube escolher o vinho, e isso foi lindo. E a gente ficou com o rosto corado e até rimos da nossa embriaguez boba, no meio da semana. Aí você pegou a conta e isso foi tão bonito, sabe. Fazia tempo que alguém não pagava a conta com um sorriso no rosto e eu sabia que você queria fazer aquilo. E enquanto a transação do cartão era aprovada, meu rosto ficou vermelho. Eu maliciei, claro.
Aí a gente saia de mãos dadas e você parou pra me beijar – alguém já te disse que você beija divinamente? – e aí você passou a mão no meu rosto e me abraçou grande. E você me chama de pequena e eu malicio de novo, mas finjo que não. Você é tão romântico, afinal. E foi tão bonito quando você me mostrou o céu estrelado. Homem sensível é das coisas mais lindas.
Foi aí que a coisa degringolou. A gente entrou no carro e você me deu a mão, com toda a delicadeza do mundo me perguntou se eu queria r pra sua casa. Eu fiquei meio assustada com um pedido tão educado. Afinal de contas, essa pergunta – nem é pedido, é pergunta mesmo: “vamô lá, gatinha?” – sempre acontece com as mãos separadas. Trocadas, na verdade.
Eu aceitei querendo tirar a roupa ali mesmo e você colocou suavemente a mão na minha perna – mais perto do joelho, que fique claro – e a gente foi ouvindo blues e conversando sobre a comida, digo, gastronomia. Quando a eterna viagem de uns sete minutos até o seu sofá acabou, eu pensei que a coisa estivesse começando a engrenar. E você parou, pediu pra que eu sentasse no seu colo e disse o quanto gostava de mim.
Mais duas taças de vinho e eu já maliciava na cara dura mesmo. Peguei o Vicky, Cristina, Barcelona que você alugou e coloquei logo na cena da Penélope Cruz com a Scarlett Johansson – e o Javier Bardem, é claro. Aí não teve jeito.
Mas o tempo todo eu me perguntava porque tantas vezes você me pediu se estava tudo bem, quando estaria tudo muito melhor não fossem as suas mãos que não saiam das minhas e o seu olho que não desgrudava do meu. Eu só queria fazer careta, eu juro. Sexo sem careta não funciona tão bem. E você lá, me fazendo carinho, me jogando piscadinhas super-safadas.
No fim, torci pra gente terminar logo pra eu ir embora. Mas você me fez ficar. Não fosse a minha carência que nem dois garrafões de vinho vagabundo abrandariam, eu teria sido forte e negado. Depois de uma noite dormindo de conchinha e com muitas interrupções – para carinhos, beijinhos e sussurros, é claro – eu peguei no sono. O sono mais entediado que eu já tive.
Mas, foi só acordar e você veio com o golpe de misericórdia: o maldito pão de queijo quentinho que você tinha acabado de fazer pro nosso café da manhã super-romântico-a-dois. Eu mal engoli o pão de queijo e lembrei do compromisso mais sério da minha vida que tinha acabado de ser inventado naquele momento.
No caminho pra minha casa, joguei um charme pra um cara mais velho de aliança no dedo que parou ao meu lado no semáforo. E quando o sinal abriu, eu gargalhei. Eu era mesmo a pessoa mais difícil do mundo de entender.

Olha, até que você foi bem legal. A gente jantou no meu restaurante favorito e você até soube escolher o vinho, e isso foi lindo. E a gente ficou com o rosto corado e até rimos da nossa embriaguez boba, no meio da semana. Aí você pegou a conta e isso foi tão bonito, sabe. Fazia tempo que alguém não pagava a conta com um sorriso no rosto e eu sabia que você queria fazer aquilo. E enquanto a transação do cartão era aprovada, meu rosto ficou vermelho. Eu maliciei, claro.

Aí a gente saia de mãos dadas e você parou pra me beijar – alguém já te disse que você beija divinamente? – e aí você passou a mão no meu rosto e me abraçou grande. E você me chama de pequena e eu malicio de novo, mas finjo que não. Você é tão romântico, afinal. E foi tão bonito quando você me mostrou o céu estrelado. Homem sensível é das coisas mais lindas.

Foi aí que a coisa degringolou. A gente entrou no carro e você me deu a mão, com toda a delicadeza do mundo me perguntou se eu queria ir pra sua casa. Eu fiquei meio assustada com um pedido tão educado. Afinal de contas, essa pergunta – nem é pedido, é pergunta mesmo: “vamô lá, gatinha?” – sempre acontece com as mãos separadas. Trocadas, na verdade.

Eu aceitei querendo tirar a roupa ali mesmo e você colocou suavemente a mão na minha perna – mais perto do joelho, que fique claro – e a gente foi ouvindo blues e conversando sobre a comida, digo, gastronomia. Quando a eterna viagem de uns sete minutos até o seu sofá acabou, eu pensei que a coisa estivesse começando a engrenar. E você parou, pediu pra que eu sentasse no seu colo e disse o quanto gostava de mim.

Mais duas taças de vinho e eu já maliciava na cara dura mesmo. Peguei o Vicky, Cristina, Barcelona que você alugou e coloquei logo na cena da Penélope Cruz com a Scarlett Johansson – e o Javier Bardem, é claro. Aí não teve jeito.

Mas o tempo todo eu me perguntava porque tantas vezes você me pediu se estava tudo bem, quando estaria tudo muito melhor não fossem as suas mãos que não saiam das minhas e o seu olho que não desgrudava do meu. Eu só queria fazer careta, eu juro. Sexo sem careta não funciona tão bem. E você lá, me fazendo carinho, me jogando piscadinhas super-safadas.

No fim, torci pra gente terminar logo pra eu ir embora. Mas você me fez ficar. Não fosse a minha carência que nem dois garrafões de vinho vagabundo abrandariam, eu teria sido forte e negado. Depois de uma noite dormindo de conchinha e com muitas interrupções – para carinhos, beijinhos e sussurros, é claro – eu peguei no sono. O sono mais entediado que eu já tive.

Mas, foi só acordar e você veio com o golpe de misericórdia: o maldito pão de queijo quentinho que você tinha acabado de fazer pro nosso café da manhã super-romântico-a-dois. Eu mal engoli o pão de queijo e lembrei do compromisso mais sério da minha vida que tinha acabado de ser inventado naquele momento.

No caminho pra minha casa, joguei um charme pra um cara mais velho de aliança no dedo. E senti um alívio tão grande, que gargalhei. Eu era mesmo a pessoa mais difícil do mundo de entender.

27 Junho 2009

Curtametragem XI

- Parece que já consegues respirar.
- Porra. Já disse que preciso suspirar. Sobreviver é muito pouco.

26 Junho 2009

Curtametragem X

- Você não vai morrer de amor. Não se morre de amor.
- Eu sei. Se morre pela falta dele.

23 Junho 2009

Auto-devolução

Você me conheceu no meu pior dia. Mas eu senti os meus olhos brilharem quando você desceu do carro se ofereceu para colocar os meus dois filmes na auto-devolução. E não teve como não sorrir quando eu vi que eram exatamente os mesmos dois filmes que você tinha para devolver. E aí não tive como negar um café – era logo o único dia da semana que eu me permito atrasar e, se não fosse, seria o único dia que eu não posso em atrasar que eu me atrasaria.
E quando eu entrei no teu carro, eu já tinha me apaixonado por você antes de ouvir a banda legal que tocava e antes mesmo de ver o livro que estava em cima do banco. Você pediu um café sem leite e eu quis casar com você ali. Você pediu um casadinho e eu comecei a gargalhar com esse teu jeito meio estranho de me dizer que lê pensamentos.
Aí você me perguntou o que eu fazia da vida. E quando eu comecei a te explicar o que eu fazia no trabalho, você me perguntou o que eu fazia pra me divertir. E quando eu te disse que aceitava cafés com estranhos que eu encontro na porta da locadora, você sorriu, deitou a cabeça para a esquerda, ajeitou os óculos e pegou na minha mão.
E antes que eu dissesse qualquer coisa, você me propôs um trato: sem mais devoluções por aquele dia. E eu pago todas as multas do mundo pra estar contigo porque no meu pior dia, você me devolveu a cinematográfica sensação de o final vai ser feliz.

Você me conheceu no meu pior dia. Mas eu senti os meus olhos brilharem quando você desceu do carro se ofereceu para colocar os meus dois filmes na auto-devolução. E não teve como não sorrir quando eu vi que eram exatamente os mesmos dois filmes que você tinha para devolver. E aí não tive como negar um café – era logo o único dia da semana que eu me permito atrasar e, se não fosse, seria o único dia que eu não posso em atrasar que eu me atrasaria.

E quando eu entrei no teu carro, eu já tinha me apaixonado por você antes de ouvir a banda legal que tocava e antes mesmo de ver o livro que estava em cima do banco. Você pediu um café sem leite e eu quis casar com você ali. Você pediu um casadinho e eu comecei a gargalhar com esse teu jeito meio estranho de me dizer que lê pensamentos.

Aí você me perguntou o que eu fazia da vida. E quando eu comecei a te explicar o que eu fazia no trabalho, você me perguntou o que eu fazia pra me divertir. E quando eu te disse que aceitava cafés com estranhos que eu encontro na porta da locadora, você sorriu, deitou a cabeça para a esquerda, ajeitou os óculos e pegou na minha mão.

E antes que eu dissesse qualquer coisa, você me propôs um trato: sem mais devoluções por aquele dia. E eu pago todas as multas do mundo pra estar contigo porque, no meu pior dia, você me devolveu a cinematográfica sensação de o final vai ser feliz.

22 Junho 2009

A vida é tão rara

O pior não é saber que paciência tem limite: é sentir que o limite é adiado pela paciência.